Dia 21 - Um texto que tenhas escrito há algum tempo.

10/4/2013

«Há muito que não sentia o poder da nostalgia. Não assim tão intensamente.
Fui almoçar fora com a minha avó à terra onde cresci até aos 8 ou 9 anos. Posso passar lá de tempos a tempos mas há muito que não via aquelas pessoas. Foi uma das coisas que me deixou completamente sem jeito e sem palavras.Pessoas que eu não via a mais de 10 anos que me reconheceram quando me viram ao lado da minha avó. Metade delas já nem me recordo.
Todo isto me deixou com a lágrima no canto do olho e com um sentimento estranho cá dentro. Em 10 anos as pessoas mudaram,envelheceram. O que eu sempre conhecia deixou de existir com o passar do tempo. E onde se situava a velha papelaria da minha avó hoje resume-se apenas a mais uma casa deitada abaixo.
Cresci lá durante quase metade da minha vida,todos os dias,todo o dia naquela terra,enquanto os meus pais trabalhavam. Tantas recordações que de lá guardo,seja em fotos ou na memória. De andar de bicicleta com o meu "primo" em 2º grau-que acima de tudo era o meu melhor amigo e agora mal nos falamos- dentro da Praça enquanto estava fechada. De comer um gelado todos os dias de borla por a avó os ter lá à venda. Demasiadas recordações que o tempo acabou por levar.
E voltando às fotos... quando cheguei a casa andei a ver as ditas cujas da minha infância. Até que descobri uns albuns dos meus pais quando ainda não se conheciam,quando namoravam e já depois de casados. É uma das coisas que não fazemos ideia até as descobrir. Os seus looks à 20 anos atras era demais :D Mas o meu pai apesar de magricela tinha musculos ehehe:P E os cabelos encaracolados da minha mãe revelam o mistério da minha carapinha pegada quando eu ainda nem andava na escola. Viveram coisas que eu nunca viverei,nem nunca saberei dar valor. Como os gira-discos que a minha mãe tinha no quarto de solteira,as paredes forradas com os seus idolos - aposto que quando a minha avó deu com as paredes naquele estado só faltou atirar a minha mãe da janela- todas essas coisas que alguns de nós agora chamam "lixo" mas que apenas não sabemos dar valor aquela época.As pessoas viviam mais, divertiam-se mais em conjunto. Tudo era diferente,lá está.
Mas desses tempos apenas restam as fotografias para que quem não as viveu,poder imaginar.»

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