Our love #8 || "Tomei o caminho que me faz feliz todos os dias" # "Porra! eu realmente a amo!"


Rita: As coisas entre mim e o Lex já andavam tremidas e em Fevereiro ainda mais tremidas ficaram. Fevereiro. Engraçado (não mesmo!), seria o nosso primeiro dia de S.Valentim juntos.
Vou dizer isto com a esperança que não me interpretem mal, porque agora vejo as coisas de forma diferente. O Lex era daqueles rapazes que, mesmo sem total intenção, me mandava SMS atrás de SMS. E quando por algum motivo eu não podia responder nos minutos seguintes, mandava outra a perguntar o que eu andava a fazer.
Ora, eu habituada a ser senhora e dona do meu nariz, comecei a não achar grande piada a isso, porque chegava a pontos que eu só pensava "Bolas, dá-me uns minutos." Cheguei a dizer-lhe mesmo que quando não respondia era porque não podia. Mas não fez grande efeito.
Por esse motivo e outros, fiquei à beira do abismo. Andava tão desorientada e sem saber o que fazer, havia dias, principalmente aqueles dias "não" que eu só queria estar sossegada no meu canto. E se não estava comigo para me sossegar, que ao menos me deixasse respirar um bocado.
Só sei que acabámos a discutir mais uma vez, dissemos coisas que não queriamos, a história dos pais dele veio outra vez à baila entre outras coisas que eu não conseguia entender, tais como; o facto de naquela altura ele pouco fazer para tentar arranjar um emprego.
Tinha vindimado para o padrasto em troco de promessa de lhe pagarem a carta e como sempre, falharam. Mais valia ele ter trabalhado para outra pessoa a ganhar um salário.
O Lex sempre teve cabeça dura. Quando tinha uma coisa na cabeça nada o convencia. Por isso acabávamos por chocar um com o outro diversas vezes, quando o tentava chamar à razão.
No início do mês de Fevereiro fui convocada para um Curso no IEFP e acabei por ir. Ao menos tinha a mente ocupada. As coisas continuaram a piorar ao ponto que pedi para acabar-mos.
Estava tão desesperada por um tempo meu, queria ao menos respirar sem aquela corrente de SMS.
Na altura fiz o que era o melhor para mim. Estava tão chateada com ele, com os pais dele por desde sempre serem assim conosco. Estava chateada comigo própria. Queria algo mais que aquilo. Queria um namorado esforçado, que tentasse algo para ele porque nunca teria grande coisa dos pais. O Lex já tinha idade para pensar por ele mas perdeu-se algures no caminho como ele mesmo disse. Não sei o que o desanimou. Talvez fosse por em casa as coisas serem como são, talvez fosse por atrás dele estarem a dizer que não seria capaz disto ou daquilo. Percebem agora porque disse que o Lex precisa de alguém que puxe por ele?
Credo, o rapaz mudou imenso desde que o conheci, mas de vez em quando ainda precisa que alguém tome a iniciativa. Alguém atento a ele.
Naquele maldito mês de Fevereiro, cheguei ao ponto de encher a mochila com roupa decidida a ficar na minha avó, só para não correr o risco de o ver quando ele viesse cá a casa buscar a bicicleta dele com o padrasto. Estava tão magoada. Queria tanto que déssemos certo e não havia meio de atinar-mos um com o outro.
Veio e não o vi.
Mas no dia de S.Valentim, estava eu a sair do banho quando ouvi alguém bater à porta de casa. Pensei que fosse a minha avó mas hesitei quando vi a silhueta dele através do vidro. Teve de ser.
Fui mais fria que um bloco de gelo. Fria ao ponto que ele não merecia, admito.
Conversámos, eu chorei, ele chorou, deu-me uma rosa ( porque, nas palavras do padrasto ele, eu não merecia um ramo de flores depois de o ter deixado.) e prometi que iria pensar no que ele disse.
O que havia para pensar? Eu amava aquele estúpido até mais não. As constantes SMS dele, chegaram a pôr em causa até onde iria a confiança dele em mim. Isso magoou-me porque nunca lhe tinha dado motivos para o que fosse.
Podia tentar pôr aquela situação de lado e tentar-mos seguir em frente ou podia deixá-lo ir, assim.
Ainda que magoada, eu queria-o. Sentia imenso a falta dele e não queria dar o braço a torcer.
Tinha dois caminhos à escolha. Poderia ter escolhido o mais fácil, mas optei pelo mais dificil. Tomei o caminho que me faz feliz todos os dias.

( Para que não pensem mal do rapazito, desde aí as coisas mudaram realmente nesse aspecto. Ambos mudámos, porque sei que errei naquele dia quando o deixei. Aí, fui eu que fugi, que escolhi o caminho mais fácil. Ambos errámos, eu sei disso. E sei coisas que naquela altura não sabia. Mas ainda éramos tão imuturos no que diz respeito ao amor. Todos os dias, sem exagero, em pensamento, peço-lhe desculpas por o ter abandonado naquele dia. Foi um dos maiores erros que já cometi.)

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Lex: Aproximava-se o mês de Fevereiro, iria ser o nosso primeiro dia de S. Valentim juntos mas acabámos por não o celebrar porque voltamos a discutir, pois havia alturas do dia em que lhe enviava SMS e ela não respondia e eu ia continuando a enviar e algumas vezes perguntava o que estava a fazer naquele momento. Nunca tive a intenção de saber o que estava a fazer para poder controlar cada minuto da sua vida, nada disso.
Houve  um dia em que a queria surpreender e correu mal, muito mal. Ela ia cedo para a paragem dos autocarros para ir para o IEFP e eu queria surpreendê-la com uma rosa na paragem de autocarro quando ela chegasse. Por isso por SMS perguntei a que horas ela estaria na paragem, e a que horas chegava o autocarro e assim. Mas ela pensou que eu estaria a querer saber onde ela estava o tempo todo. Mas a minha intenção nunca foi essa e nunca será, porque eu não sou esse tipo de homem. E com isto se agravou mais a situação, ela pediu para acabar-mos.
Eu nesse momento também estava a tirar um curso pelo IEFP mas o curso estava a decorrer na minha área de residência. Nessa semana no curso não fiz caso de nada  nem de ninguémnão tinha cabeça para mais nada. tinha perdido tudo. O meu mundo tinha acabado e eu não sabia o que fazer, não iria mais tentar falar com ela porque ela deixou bem claro para não ir atrás dela. E eu respeitei-a , por mais que me  doesse, por mais que me matasse por dentro. Até que a meio dessa semana recebi uma chamada de um número que eu não conhecia. Era a mãe dela, e depois de falarmos um bocado ela disse uma coisa que eu nunca hei de esquecer, "se gostas dela, se realmente a amas, luta por ela!".
A partir do momento que desliguei o telemóvel comecei a pensar, "porra! eu realmente a amo!".
No dia 14 à tarde fui a casa dela com uma rosa, estava a chover e eu de mota com a rosa na mão, e sem me importar com a chuva ou com qualquer outra coisa. 
Conversámos,  dei-lhe uma rosa, e o pior que tudo é que  tinha-a ali tão perto e tão longe ao mesmo tempo. 
Não foi fácil mas conseguimos dar uma "respiração boca a boca neste amor" e por isso acabámos por não celebrar o dia de S. Valentim.  Mas este ano espero celebrá-lo com ela a dobrar.


Imagem: We ♥ it

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Aqui fica mais uma parte da nossa história. Espero que tenham lido este testamento até ao fim :$ Não se esqueçam que podem sempre aceder ali ao lado em Links/Archives, Always & Forever.Esperamos que tenham gostado deste pedacinho de nós.
E não se esqueçam também que; quando se ama de verdade, vale sempre a pena. Nunca desistam!!

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