Que saudades, avô



Faz hoje 8 anos que partis-te sem que pudesse despedir-me de ti. Ainda hoje sinto uma pontada de culpa, sabias? Porque na tua última semana eu não te visitei porque não queria ver o meu avô doente. Acreditava na minha ingenuidade de adolescente que tudo ficaria bem. Que ficarias bem e viverias mais 100 anos. Sabia que era mentira mas acreditava nisso. Precisava de acreditar. E tu partis-te sem eu te dizer Adeus. E 8 anos depois ainda me custa pensar em ti, recordar os bons momentos que vivi contigo porque ao pé de ti não havia espaço para mais nada a não ser sorrisos e traquinices. Lembras-te quando jogávamos futebol na cozinha sem a avó saber? Quando jogávamos às cartas e deixavas-me fazer batota debaixo do teu nariz. Davas-me exercicios de matemática todos os dias, tentavas tornar-me numa boa aluna, contavas-me histórias do tempo dos Mouros e eu ,criança que era, só queria brincar. Hoje, gostava de ter prestado mais atenção no que me dizias, no que me ensinavas.
Podes ter partido mas passe o tempo que passar sei que nunca te perderei realmente. Sei que estás comigo, sei disso. Já senti isso. Já tive daqueles momentos de "por um triz" e soube que naquele instante tinha um anjinho da guarda a olhar por mim, e não foi apenas uma questão de sorte como muitos diriam. Eu acredito em ti.
Por isso, não sei onde estás agora mas sei que de alguma forma estarás a ver isto. Preciso acreditar que sim. Mesmo que seja mentira, quero acreditar nisso.
Amo-te avô, sinto imenso a tua falta. Todos os dias. Tu sabes.

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