Tudo o Que Sempre Quis || Cap.17 || Pt.3

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Tinha esperado tanto tempo por aquele momento que agora não sabia como gerir o turbilhão de sentimentos que o invadiam. Durante três anos tinham planeado aquele dia para que tudo fosse perfeito. Simples mas perfeito e agora que ali estava a percorrer a passadeira que cobria a areia até ao altar não fazia a mais pequena ideia do que esperar a seguir. Estava tão nervoso que o mais provável era já ter gasto a maior parte da sola dos sapatos enquanto andava de um lado para o outro feito barata tonta.
Tinha amado aquela que em breve seria a sua esposa, durante grande parte da sua adolescência e voltou a amá-la no dia que a encontrara passados tantos anos. Devia-lhe a sua vida. Nunca o abandonara, mesmo quando soube que uma das suas pernas não respondiam aos estímulos enviados pelo cérebro e tivera de aprender a deslocar-se com a ajuda de muletas ou de uma cadeira de rodas. O dia em que, milagrosamente, recuperou os movimentos, fora o dia mais feliz da sua vida até ao nascimento do filho. Estava mais do que feliz por tornar Mafalda a sua esposa, mas o dia em que Diogo nasceu, apesar de todos os contratempos, fora o dia mais feliz que vivera.
- Nervoso maninho? – Quis saber Helena ao aproximar-se dele, também ela ansiosa.
- Nem imaginas.
 Colocou as mãos no rosto do irmão, fitando-o. – Estás lindo. Está tudo perfeito, como queriam. – Afirmou, olhando em redor. – Mereces tudo isto, mereces ser feliz e tenho a certeza que a partir de agora só coisas boas virão. 
Lucas apertou a irmã nos braços deixando escapar uma lágrima teimosa. Aquela seria sempre a mulher mais importante da sua vida logo a seguir à mãe. Amava Mafalda mas o amor por Helena era diferente. Aquela era a segunda mulher que ele amara na vida logo que ela nascera. Tinha-a segurado nos braços receoso de a magoar, tinha-a protegido durante toda a sua vida mesmo quando se tornara rebelde e não se importava com nada no mundo, importava-se com ela. Aquela miúda que agora era uma mulher, seria sempre uma das suas fraquezas. Como ele gostaria de a ter protegido naquela noite. Como queria ter sido ele a levar com todas as consequências que aquele acontecimento tinha trazido, se isso significasse que Helena dormiria descansada, sem peso na consciência. Nunca nenhum deles saberia a verdade sobre o que acontecera com Nuno.
- Podes esquecer aquela noite por uns momentos? – Pediu ele.
- Já não me recordo dela assim tantas vezes como antes. – Deslizou as mãos pelo rosto dele. – Sei que estou segura com todos vocês por perto. Acabou, mano. Não vou mentir e dizer que o que aconteceu não deixou marcas, é óbvio que deixou. Mas estou bem, estamos todos bem.
- Sempre pensei ser o último do rebanho a dar este passo. – Confessou, admirando as pessoas que continuavam a chegar.
- E acabas por ser o primeiro. Quem diria não é?
- Talvez em breve tenhamos outro casamento para ir. – Brincou, ao ver Martim aproximar-se com Diogo ao colo.
- Não tão breve assim. – Disse ela.
- Nunca digas nunca maninha. – Pegou no filho e franziu o sobrolho ao olhar para os pés de Martim.
- Esquece. Não digas nada. – Apressou-se Martim.
- Duvido que alguém repare, com a noiva mais linda prestes a chegar. – Constatou Helena desviando o olhar para a cunhada que acabava de chegar.

Lucas entregou Diogo a Helena e aprumou-se para regressar ao altar onde Salvador e Sofia, irmã de Mafalda, já estavam a postos para o papel de padrinhos.
-Nunca mais estarás sozinho. – Murmurou-lhe Sofia.
Mafalda pouco reparou na decoração. Também ela quis esperar até que a vida de ambos estivesse estável, tinham desejado que tudo fosse perfeito e agora que via o homem que amara durante grande parte da sua vida, à sua espera com aquele sorriso de menino que ela tanto adorava e aquele par de olhos azuis brilhantes, pouco se importava se as cadeiras dos convidados eram brancas enfeitadas com uma fita azul cor do céu ou às riscas amarelas e cor-de-rosa. A única coisa que ocupava os seus pensamentos era o homem que em breve seria o seu marido para o resto da vida e o seu filho mais do que lindo e perfeito ao colo da cunhada Helena. Ao caminhar pelo braço do pai soube que aquela rapariga, um dia seria uma grande mãe ao lado de Martim que, por muito que tentasse esconder os ténis vermelhos All Star, não conseguiu.
Mafalda sorriu-lhe. Só mesmo aquele rapaz para fazer uma figura daquelas.
- Lembra-te que nem sempre será fácil, mas se o amas, valerá sempre a pena. – Sussurrou-lhe o pai, beijando-lhe a face enquanto a entregava a Lucas.
Quis dizer-lhe o quanto o achava lindo dentro daquele fato mas ficou-se por um olhar apaixonado e demorado carregado de significado que só eles entenderiam.
Enquanto o padre fazia o seu trabalho, Sara e Helena cochichavam uma com a outra entre dentes.
- Sempre achei que fosse o Salvador o primeiro a subir ao altar. – Confessou Helena
- Por que dizes isso? – Quis saber Sara.
- Não sei. Apenas era uma sensação. Não pensam nisso?
- Não temos conversado sobre isso, não surgiu ainda o assunto com tudo o que tem acontecido nestes últimos tempos.
- Faria sentido se o fizessem. Não é preciso muito para perceber o quanto se amam ou o quanto ele adora a Inês.
-Eu sei. Nunca pensei que ele fizesse o que fez, aceitar a filha de outro. Afinal de contas já a tinha quando o conheci e nunca lho disse.
- Não seria o meu irmão se não o fizesse. É quem ele é.
Sara não respondeu, perdendo-se em pensamentos enquanto fitava Salvador atento ao que o padre dizia. Helena estava certa. Fazia sentido que um dia fosse ela no lugar de Mafalda ao lado de Salvador. Talvez em breve abordasse o assunto com ele. Deixou-se levar pela nostalgia do momento sentindo uma lágrima ou outra escapar por entre as pestanas sem prestar atenção aos votos dos noivos, que certamente seriam palavras verdadeiras, tendo em conta o que os unia.
Despertou dos seus devaneios quando Inês caminhou sorridente em direção aos noivos com a cestinha das alianças.
- Eu, Lucas, aceito-te a ti, Mafalda, como minha esposa. Prometo estar contigo na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, amando-te, respeitando-te e sendo-te fiel em todos os dias da minha vida, até que a morte nos separe. – Enquanto pronunciava estas palavras, Lucas fazia deslizar a aliança pelo dedo de Mafalda que lutava com todas as forças que tinha para não se derreter em lágrimas.
- Eu, Mafalda, aceito-te a ti, Lucas, como meu esposo. Prometo estar contigo na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, amando-te, respeitando-te e sendo-te fiel em todos os dias da minha vida, até que a morte nos separe. – Mais do que nunca, aquelas palavras faziam todo o sentido revendo o histórico de ambos.

Sabiam-no, enquanto se fitavam um ao outro à espera da ordem do beijo que selaria aquele momento até à eternidade.
- Pode beijar a noiva! – Declarou o padre.
Uma salva de palmas e urras fizeram-se ouvir enquanto Salvador correu para roubar o irmão à cunhada.
- Parabéns puto. Já estava mais do que na hora.
- O próximo és tu. – Declarou Mafalda quando fugindo aos beijos e abraços de felicitações.
- Achas? – Quis saber, observando Sara pelo canto do olho.
- Aposto nisso. – Afirmou Lucas confiante, quando Diogo correu para os braços dos pais.

Talvez Mafalda tivesse razão, seria ele o próximo a subir ao altar? Agora que pensava nisso não lhe soou tão impossível assim. Sara era prática, tinham vivido bem sem alianças, sem um papel assinado por ambos com a promessa de se amarem até ao final dos seus dias, mas aceitaria ela mudar isso?

Antes que percebesse viu-se envolvido num mundo de flashes e fotos para mais tarde recordar. 

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6 comentários :

  1. Que descrição tão bonita e carregada de amor *.*

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  2. r: Para quem gosta de ler é mesmo a plataforma indicada :)

    Não tens que agradecer!
    Compreendo bem o que queres dizer*

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  3. Olá, já pensaste inscrever-te na aplicação/no site Wattpad, ele é bom para publicar histórias e receber opiniões.

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    PS: Tentei comentar na página que tem todos os capítulos, por isso tive de o fazer aqui.

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