Tudo o Que Sempre Quis || Cap.17 || Pt.4

                                      ⚓
Não poderia estar um final de tarde mais perfeito que aquele a que assistiam com o céu a salpicar-se em tons de laranja e amarelo enquanto sol descia suavemente por detrás das rochas.
Uma semana se passara desde o casamento de Lucas e Mafalda, agora ali estavam eles todos reunidos no areal como se nunca nada de mal tivesse acontecido nas suas vidas.
- Parece mentira, não é?- Disse Helena, sentando-se ao lado de Sara.
- Por vezes, ainda mal acredito que passámos por aquilo que passámos ao longo de todos estes anos. – Confessou, puxando Helena para um abraço de amigas.
- Teremos de nos habituar a esta nova vida, parece que agora é para sempre. – Declarou Mafalda, juntando-se a elas com um sorriso.

Sara observou os rapazes à beira-mar, Salvador brincava com Inês em cima de uma prancha pequena que arranjara sabe-se lá onde para que a filha pudesse aprender a surfar e Martim divertia-se a fazer um castelo na areia com os brinquedos de Diogo. Demorou-se a observar Lucas dentro de água. Nem sequer conseguia imaginar como teria sido para ele passar pelo que passou, nem como Mafalda tivera forças para lutar pelos dois, mas ao ver o sobrinho correr desajeitadamente em direção a elas indo direto para braços da mãe, soube que a força provinha do amor que sentiam um pelo outro. Admirava isso. Admirava-os a ambos e sobretudo admirava aquela família que tanto lutara uns pelos outros, acarretando as consequências que fossem necessárias para proteger quem mais amavam.

- Sim. Agora é para sempre. – Murmurou Sara voltando o olhar em direção a Salvador e à filha.
- Vamos conversar sobre assuntos sérios – começou Mafalda – Qual das duas vai ser a próxima?

Helena e Sara torceram o nariz em simultâneo. Não queriam admitir que tanto uma como outra, andaram a pensar seriamente no assunto na última semana.
- Terás de esperar mais algum tempo. – Disse Helena.
- Terei mesmo? – Brincou, notando o olhar ternurento que Martim lançava na direção da namorada. – Não se esqueçam que no lançamento do meu buquê, entre tantas raparigas solteiras, foram vocês que o agarram ao mesmo tempo. Engraçado, não? – Sorriu, divertida.
- Obra do acaso. – Disse Sara com um sorriso envergonhado.
- Exatamente. Concordo. – Declarou Helena.
- Sim, vou fingir que acredito nisso.

Foram salvas por Lucas que corria pelo areal completamente encharcado de um mergulho no mar.
- Bem, Helena vamos embora que não quero servir de pau-de-cabeleira a estes dois. – Afirmou Sara, levantando-se.
- Sim, boa ideia. Agora que têm um anel no dedo ainda são mais melosos que antes. – Atirou a língua ao irmão e saiu dali antes que ele resolvesse molhá-la. Podia imaginar que àquela hora a água já não estivesse muito convidativa para um mergulho em bikini.
Em contra partida, Sara despia-se enquanto corria em direção ao mar, pegou na prancha que Salvador lhe oferecera há algum tempo atrás e entrou na água sem se arrepiar, como era do seu costume.
Inês brincava com Diogo na areia com a supervisão de Helena e Martim mas depressa os seus olhos se desviaram para a mãe em cima da prancha, remando até se aproximar de Salvador que permanecia sentado em cima da prancha, com os pés a baloiçar dentro de água.
Parecia ausente, absorto nos seus pensamentos, ou talvez apenas esperasse por uma onda que valesse a pena.
- Que me dizes? – Desafiou Sara, aproximando-se dele. – Pelos velhos tempos?
- Aceito. Mas antes disso – aproximou a prancha da dela – vem cá. Prometes que depois de apanharmos umas ondas não desapareces para parte incerta como da primeira vez?
Sara beijou-lhe os lábios, ao início suavemente aumentando depois a intensidade.
- Amo-te. Amo a vida que temos. Não abdicaria disso por nada deste mundo.
Salvador sorriu, sabendo que era verdade o que ela dizia. Conhecia-a demasiado bem para saber que estava a ser sincera.
- Também te amo Sara. És a parte que me faltava, a minha metade.
- És o melhor de mim, meu querido. – Deslizou a mão pelo rosto molhado que já sabia de cor assim como cada traço, cada cicatriz do corpo dele. – Eu prometo o que quiseres, mas terás de prometer que te manterás firme, sem pensar em desistir, por muito negro e horrível que o dia possa parecer.

O surfista olhou em direção à praia. Viu a irmã às cavalitas de Martim, riu-se ao ver o irmão a brincar com Inês e Diogo e agradeceu a Mafalda por ter feito o que ele deveria ter feito por Lucas quando o irmão mais precisou.
Fitou o horizonte e quase podia sentir a presença do avô enquanto os últimos raios de sol espreitavam timidamente atrás das rochas. Deslizou os olhos pelas ondas até se encontrarem novamente com os de Sara.

- Não vou a lado nenhum. Tenho Tudo o Que Sempre Quis.
                              ⚓ Fim 

Share This Article:

CONVERSATION

5 comentários :

  1. Adorei este teu livro, toca a escrever o próximo :)

    ResponderEliminar
  2. Adorei! Está incrível a história *.*

    r: Muito obrigada*

    ResponderEliminar
  3. Devorei esta história, parabéns mais uma vez.
    Consegues prender o leitor do inicio ao fim da historia. :)

    ResponderEliminar