Quando o ♥ Não Perdoa | Cap.2_Pt.2



Eva estava uma vez mais deitada na sua cama de rede com Simba debaixo de si, como em quase todos os finais de tarde em que o bom tempo o permitia, só que desta vez não estava a ler. Estava sim totalmente perdida nos seus pensamentos, quando Susana chegou sorrateiramente assustando-a sem intenção.

- Maninha...conta, conta! – Pediu entusiasmada.

Eva demorou algum tempo a perceber a que se referia ela.
- Ah! O almoço? – Questionou. Susana ergueu as mãos no ar como quem diz “Claro!” – Foi bom, correu bem, mas acho que foi um bocado…estranho!?
- Como assim? Não me digas que o nosso irmãozinho deu bronca. – O seu cérebro traquina depressa começou a pensar em formas de gozar com Pedro quando ele chegasse a casa.
- Se queres saber, foi mais a Íris. – Disse. – Ele portou-se muito bem, até. Mas ela estava muito estranha.

Susana sorriu. Eva sentou-se na cama de rede, deixando espaço para a irmã se juntar a ela.
- Nunca pensei que o nosso irmão se interessasse por uma rapariga tão cedo. Só vê o raio da mota à frente, acho que trata melhor daquela coisa do que de uma possível namorada. – Não conteve uma gargalhada que contagiou Eva, que encolheu os ombros.

-As pessoas mudam, Su.
- Pelo menos algumas, certo? Mas nem todas para melhor. – Murmurou Susana.
Eva escutou e pôde perceber a indireta para Vicente, mas sem saber o que lhe responder realmente, encolheu os ombros uma vez mais e trocou um olhar de irmãs com Susana.

- Desculpa, não queria…- Começou Susana, colocando uma mão sobre o ombro de Eva.
- Não… Tens razão, mana. Tu, o Pedro, a Íris, os pais… - Desviou o olhar para as árvores de folhagem nova que se estendiam à sua frente – Apenas não sei mais o que pensar, o que fazer…quando discutimos ele ignora-me e isso deixa-me furiosa, é como se não se importasse minimamente.
- Se tu não entendes o que vai na cabeça dele, ninguém entenderá e pergunto-me se ele próprio entende – Deslizou um braço em redor das costas de Eva – Não podes continuar assim, mana. Tu sabes bem o quanto te adoro, o quanto te admiro por tudo… pelos obstáculos que já ultrapassaste, pelo que fazes, pelo que és, pelo que nos inspiras a ser… tu e a mãe são quase invencíveis e inspiram-me a ser também assim. – Sorriu, agradecida por Deus a ter entregue àquela família, àqueles pais tão bons e àqueles irmãos que eram o seu porto de abrigo – Mas sabes que mereces mais que isto, não sabes? – Eva encolheu os ombros. – É verdade! Tu mereces ser feliz…digo, realmente feliz. Se não és com ele, senão está a resultar… livra-te desse sentimento. Sinto que te estás a sufocar.

Susana estava certa. Ultimamente Eva sentia-se a sufocar, sem saber que decisão tomar nem que caminho seguir. Mas de algum modo aquela conversa com a irmã abriu-lhe os horizontes, afinal também Susana era uma fonte de inspiração.
Quando os olhos de Eva começaram a ficar rasos de lágrimas Susana apertou-a num abraço demorado cheio de ternura.

- Obrigada por seres assim. – Murmurou Eva, junto ao ouvido da irmã. – Não poderia ter irmã melhor.
-Claro que podias, mas não era a mesma coisa. – Sorriu, beliscando-lhe a bochecha. – Ajudei em alguma coisa? Nem que seja só um bocadinho?

Eva assentiu, fungando. – Ajudaste muito.

- Ainda não terminaste de ler este monstro? – Perguntou Susana, dando uma olhadela ao livro perto da irmã. Ela própria gostava de ler, muito mesmo, mas no que tocava a tempo de leitura Eva mantinha o record, como sempre.
- Ainda não. Tem sido difícil concentrar-me e sabes que gosto de absorver como deve ser o que estou a ler.

- Bom, seja como for, com tantas visitas à biblioteca aposto que ainda encontras por lá o teu verdadeiro rapaz de sonho. – Sorriu, piscando-lhe o olho. - Vamos dar um passeio a cavalo? Sei que já pareço o Pedro, mas tal como ele, também tenho uma montanha de folhas para estudar e preciso de coragem para mergulhar naquilo de cabeça. Ah maninha, a vida de estudante é tão lixada! – Disse, dramatizando.

- Ainda vais ter saudades dos tempos de escola, escreve o que te digo. – Eva levantou-se. – Vamos lá então a esse passeio; vocês os dois não me deixam em paz um bocadinho que seja. – Resmungou, fingindo-se incomodada. 

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