Quando o ♥ Não Perdoa | Cap.2_Pt.3


Antes que dessem por isso, Abril deu lugar a Maio, trazendo consigo os dias cada vez mais longos, aquele Sol tão bom e aconchegante e também o aniversário de Eva.
Estava um autêntico dia primaveril, com a quinta invadida pelo cheiro da natureza, das flores, da terra molhada pela maresia da manhã com os pássaros empoleirados nos ramos das árvores.
Naquele dia, Eva teve direito a um despertar diferente do habitual. Mesmo antes dos pais acordarem, a sua cama foi invadida por uma Susana entusiasmada e por um Pedro barulhento.

- Parabéns maninha! – Desejou a rapariga, depositando dois beijinhos no rosto de Eva.
- Estás a ficar cota. – Brincou Pedro, abraçando a irmã ainda meio adormecida.
- Obrigada. – Sorriu. – Eu digo-te quem está a ficar cota, Pedro Miguel.
- Que vais fazer hoje? – Quis saber Susana.
- Bom, vou trabalhar, vou almoçar com a Íris… Querem vir? – Demorou-se no olhar que trocou com o irmão, propositadamente.
- Por mim, tudo bem. – Aceitou Susana, sempre pronta.
- Por mim também. – Respondeu o rapaz, totalmente calmo, para grande surpresa das irmãs, visto que quando o nome de Íris surgia, Pedro se tornava um tomate nervoso ambulante.
- Então fica combinado. – Assentiu Eva, abraçando uma vez mais os irmãos.

Depois de ter sido acordada pelos irmãos e os pais terem entrado no quarto também para uns beijinhos e abraços de parabéns, Eva ficou sozinha. Deu uma olhadela rápida ao telemóvel, nada de mensagens madrugadoras. Sabia que metade dos parabéns que receberia nesse dia seria através do Facebook, como sempre desde que aderira à rede social. Contudo, ainda que a história com Vicente tivesse terminado no dia seguinte à conversa que tivera com Susana umas semanas antes e não tivessem voltado a falar um com o outro, teve a leve esperança que o rapaz lhe desejaria um feliz dia.
Sentia-se ingénua e sabia perfeitamente que tal não aconteceria.

Contrariando todas as probabilidades, quando à hora de almoço chegou ao restaurante do costume, Pedro já lá estava com Susana e Íris, sentada à sua frente. Assim que Eva transpôs a porta de entrada, Íris levantou-se para abraçar a amiga e dar-lhe uma vez mais os Parabéns. Íris não gostava muito de abraços e amostras de carinho mas de vez em quando lá abria uma exceção.
- Até estou admirada de já cá estarem todos. – Sorriu, espicaçando o irmão que era conhecido por andar sempre em cima da hora.
- Quando é para almoçar de borla não há atrasos. – Brincou o rapaz, provocando uma risota geral em volta da mesa, trocando «um dá cá mais cinco» com Susana.

Ao contrário do que seria suposto com Pedro e Íris no mesmo local, o almoço correu maravilhosamente bem, sem constrangimentos, mas quando os irmãos regressaram para as aulas da tarde e Eva ficou sozinha com Íris, esta não negou o interesse evidente pelo irmão da amiga.

- É um bocado estranho…- Admitiu Íris. – Afinal é o teu irmão. Não sei como surgiu, mas sabes melhor que ninguém que aqueles olhos azuis são um quebra corações.

Eva sorriu. – Apesar de ser adotado, passa bem por filho biológico do meu pai por causa dos olhos. A minha mãe também se fascinou pelos olhos do meu pai, ainda mais com um olho de duas cores…

- Imagino. – Assentiu Íris, parecendo preocupada. – Ele tem quinze anos…
- Sim, e tu dezassete. Não é propriamente dez anos de diferença, nada é impossível e acredita quando te digo que o meu irmão é bastante crescido para a idade que tem. É responsável e tem a cabeça no lugar, mesmo que por vezes não pareça. – Recordou o rally de Pedro com o trator, o fascínio dele por sarilhos que envolviam uma mota ou um kart… coisas típicas de rapazes. Contudo, não fumava, não era fã de álcool e divertia-se ainda mais sem isso.

- Não digo que não seja boa pessoa, mas parece meio…desligado. – Íris encolheu os ombros.
- Posso ser sincera contigo? – Quis saber. – Mas nunca lhe contarás que eu te disse isto, OK? - Fez uma pausa. – Que eu saiba, o Pedro nunca se interessou realmente por alguém, prefere a mota e essas maluqueiras, mas eu acho que o interesse entre vocês é mútuo. Quando o teu nome surge, a atitude dele é bastante óbvia e clara nesse aspeto.

Íris respirou fundo, ponderando o seu sentimento e o que acabara de escutar. Por agora, apenas deixaria as coisas fluírem ao ritmo do vento e logo se veria. Tinha outras coisas em que pensar e com o que se preocupar para pensar seriamente em Pedro e no que poderia vir a acontecer. O futuro encarregar-se-ia do resto.

- Bom…e o Vicente? – Quis saber, mudando de assunto.
- Não sei…nem quero saber. – Respondeu Eva determinada, mas com uma ponta de mágoa pela mensagem de Parabéns que continuava a não chegar. Mas, porque haveria ela de receber uma mensagem de aniversário por parte do ex-namorado? Pela amizade que tinham primeiro que tudo, pensou. Mas Vicente não pensava assim, e quando nessa noite depois do jantar em família Eva deitou a cabeça na almofada, jurou que no aniversário dele lhe faria o mesmo. Não lhe daria os parabéns, simplesmente iria fingir que não o conhecia, que não se recordava dele.


Adormeceu com uma nova determinação de seguir em frente e deixar para trás definitivamente aquela história de amor falhada.

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