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Janeiro | Foi um mês intenso e cheio de contra-tempos com muitos nervos à flor da pele. Muita coisa para fazer e resolver relativamente ao meu apartamento.
Li os livros "Confia" da Sofia Ribeiro, "Uma Mulher em Fuga" de Lesley Pearse e "Os Altos e Baixos do meu Coração" de Becky Albertalli.
Fevereiro | Foi ainda mais atribulado que Janeiro. Foi o mês em que saí de casa dos meus pais e perdi uma parte de mim ao abandonar aquele meu pequeno mundo. Em Fevereiro cresci, tornei-me dona de casa, bati com a cabeça nas paredes e chorei. Chorei muito. Por muito que quisesse ter a minha vida adulta e independente, sentia-me destroçada com tamanha mudança.
Comecei a reler a saga dos "Morangos com Açúcar" e acho que foi mesmo graças à leitura que não me atirei da janela do primeiro andar.
Março | Poderia ter sido pior, mas enfim. Em Março fiz a minha segunda tatuagem, vi o Fernando Daniel atuar ao vivo, vi dois jogos no Estádio da Luz, dei por terminado o meu livro "Quando o Coração Não Perdoa" e continuei as minhas leituras.
Abril | Foi um mês em cheio! Visitei o Palácio da Pena em Sintra, terminei finalmente de ler a saga dos "Morangos com Açúcar", a minha mãe completou 50 anos e nesse mesmo dia lancei o livro "Quando o Coração Não Perdoa" escrito por nós as duas.
Houve ainda tempo de ler o livro "Numa Ilha Deserta" de Julie Johnson e começar a ler "A Cabana" de Wm. Paul Young.
Já em Abril começava a sentir o meu mundo a desmoronar devagarinho.
Maio | Maio é sempre o meu mês preferido, sobretudo quando ganho bons presentes de aniversário. 😋 Este ano foi tranquilo, exceto a última semana.
Ficou marcado pelo Dia da Mãe, pelo workshop de fotografia que fiz pela primeira vez, pelo primeiro mergulho na piscina, e também por muitas leituras! Aproveitei o meu aniversário para comprar alguns livros e consegui terminar de ler "A Cabana". Li também "Regras para Descolagem" da autora portuguesa Carolina Paiva e comecei a ler a saga do autor Robert Bryndza.
Assisti às promessas de escuteiro da minha prima, completei 26 anos e 5 dias depois foi a festa dos 50 do meu pai. Visitei o Castelo de Almourol, o que me obrigou a andar de barco pela primeira vez. Fui às festas da Chamusca ver o Quim Barreiros e saí de lá com uma valente dor de cabeça e de ouvidos! Foi em Maio, quase na reta final, que se abriu uma grande falha na minha vida o que me levou a pensar seriamente no que queria para mim e para o meu futuro. Mesmo assim, por teimosia ou por falta de outra solução, lá decidi dar uma nova oportunidade. Maldita a hora.
Junho | Foi uma autêntica montanha-russa, cheio de momentos muito maus e outros muito bons. Ou era 8 ou 80. Visitei o Museu do Comboio, fui às festas da terrinha onde pude assistir ao concerto da Bárbara Bandeira, li "O Último Fôlego" de Robert Bryndza e separei-me.
A partir desse momento, senti que o ano estava agora a começar e as coisas iam finalmente endireitar-se e começar a correr bem por estes lados.
Julho | Comecei a receber boas notícias, até tive direito a ir ao programa "A Tarde é Sua" na TVI onde pude conhecer pessoas fantásticas, incluindo o Goucha e a Fátima Lopes. Li "Sangue Frio" do Robert Bryndza e continuei a mobilar o resto do apartamento. Julho foi o ponto de partida para muita coisa que aconteceu desde então. Tive de ir buscar forças onde não sabia que as tinha mas superou-se melhor do que esperava.
Agosto | Comecei o mês de Agosto com uma ida à praia da Comporta, só para ver se não chegava ao Algarve ainda um copinho de leite. Finalmente as merecidas e desejadas férias! Voltei a Quarteira e durante uma semana vivi numa casa com vista para o mar e para os melhores sunset's da minha vida! Fui à praia numa noite de lua cheia e voltei para casa com aquele sentimento de "Tenho de dar outro rumo à minha vida". De certa forma, quando saí da praia à noite senti que não estava sozinha.
Li o livro "Segredos Mortais" do Robert Bryndza, "Amor sem Compromisso" da autora portuguesa Maria João Gonçalves e comecei a ler "Mais Negro" de EL James. Foi ainda em Agosto que soube que a minha prima mais velha estava grávida.
Quando Agosto terminou, soube que algo ótimo estava para vir, afinal eu andava a destilar boas vibes e confiança no que o futuro me reservava.
Setembro | Setembro terá sempre um lugar especial no meu coração. Pois, foi o mês em que a vida me presenteou com uma pessoa incrível e maravilhosa que eu amo muito e como bónus recebi dois filhos do coração. Os meus meninos lindos e o meu menino grande também lindo.
Em Setembro regressei ao ginásio, li "Tia Guida" e "25+ A vida é uma escola" do André Fernandes e "O Segredo das Pérolas Árabes" da Mafalda Moutinho.
Visitei um mini zoo perto da terrinha, onde vi uma águia enorme e...flamingos!!! Eu sou a gaja dos flamingos. Adoro tudo o que tenha flamingos.
Terminei o mês com a apresentação do meu livro na Biblioteca de Alpiarça e com o convite para ser madrinha do meu priminho que aí vem.
Outubro | Foi um mês tranquilo, sem grande alarido. Terminei de mobilar a minha casa, li "O gato branco do bar 42" de Maria João Gonçalves, "O Lobo do Mar" de Garrett McNamara e comecei a ler "O Coração de Simon contra o Mundo" da Becky Albertalli.
Foi ainda em Outubro que comecei a ficar contagiada pelo Natal, o que me levou a comprar novas decorações natalícias.
Novembro | Comecei o mês a decorar a árvore de Natal...uma autêntica criança, digamos.
Fui com o R. e os meninos até à Foz do Arelho, apresentei o livro na terra do meu coração: Benfica do Ribatejo e li "No Escuro" de Cara Hunter.
Novembro foi o mês em que consegui um trabalho extra, o meu mais-que-tudo fez anos e logo a seguir a mãe dele também. Foi o mês que estivemos mais unidos e também apanhei uma gripe descomunal como não apanhava há muito tempo.
Dezembro | Tinha tantas esperanças para o último mês do ano que saio de 2019 desiludida e magoada. Umas das poucas coisas que levo de bom de Dezembro é o concerto de Natal que assisti dos meus meninos e o passeio a Coimbra para visitar uma amiga muito especial.
Era o mês que eu esperava que valeria pelo ano todo, em contra-partida, trouxe-me de volta as minhas tonturas (pelo menos, finalmente, recebi um diagnóstico), outra gripe e também um Natal memorável por me ter deixado tão triste. Pela primeira vez, senti-me realmente triste e magoada com a minha família. Decidi fazer a consoada no meu apartamento, visto que em 2018 não tinha nada em casa por esta altura. Esperava que fosse algo mágico, na verdade, após o jantar já só falavam em abrir as prendas para se irem embora. Eu bem disse "Nem pensar! Este ano é à meia-noite." Nada disso, como sempre, às 22h e pouco já estava tudo aberto e puseram-se logo a andar. Sem um Feliz Natal, nem nada. Assim que fechei a porta da minha casa desatei a chorar. Senti-me magoada, triste e sozinha. Arrumei as coisas que enfiei-me na cama. Já vão tantos Natais assim, sem nada de especial, que acho que devia de deixar de festejar esta época. Não gastava dinheiro e não esperaria nada de ninguém.
Fecho 2019 com a esperança que 2020 seja "o" ano. O meu ano. E que me compense por tudo isto. Por tudo o que 2019 me levou e por todas as rasteiras que me pregou.
Adorei quase todos os livros que li em 2019, mas os meus preferidos são os da saga do Robert Bryndza, Numa Ilha Deserta, O Coração de Simon Contra o Mundo e O meu Coração Entre Dois Mundos.
Já tenho uma lista enorme do que espero ler no próximo ano. Vamos na fé.
O que gostaram mais de ler este ano? Contem-me tudo!

2019 foi um ano assim-assim para os filmes. Vi 32, gostava de ter visto mais mas dediquei-me mais às séries e à leitura. Foi o ano em que vi filmes de todos os géneros, uns que gostei, outros que adorei e outros que gostaria de des-ver. Os meus preferidos foram Rei Leão, Com amor, Simon e Lady and the Tramp.
Que filmes mais gostaram de ver este ano?
Este post já era para ter saído no dia 21, mas por lapso (e esquecimento) passou-me ao lado, por isso aqui fica as prendas que recebi do amigo secreto do projecto "Christmas is Coming" e muitos mais!
Apesar da minha amiga secreta ser a Cat do blog Com amor, Cat (que me ofereceu uma mala super gira mesmo boa para toda a tralha que carrego todos os dias e um colar), recebi postais da Andreia, da Melanie e da Liliana. Umas queridas!
Aqui fica as fotos do que recebi e também deixo aqui a promessa que irei responder aos postais e retribuir o carinho que tiveram para comigo. Obrigada a todas e obrigada à Catarina por me convidar a fazer parte do projecto.
Feliz Natal!
Quem faz parte do projecto:
🎄 Com amor, Cat
🎅 As Gavetas da Minha Casa Encantada
🎄 That Girl
🎅 A Liliana Raquel
🎄 Pimenta Mais Doce
🎅 The Choice
Dia 24 de Dezembro, véspera de Natal. Já cheira a bolos, cheira a Natal, cheira...a algo mágico. Parece que o ar que respiramos é sempre diferente nesta quadra.
Hoje chega ao fim o projecto "Christmas is Coming" criado pela Catarina do blog Com amor, Cat. Foi um prazer enorme fazer parte deste projecto. Espero que para o ano haja mais!
Poderia aqui escrever muitas coisas hoje, mas vou escrever com o coração muito resumidamente. Vou apenas desejar-vos um feliz e santo Natal junto das vossas pessoas preferidas. Comam muito, aproveitem a quadra natalícia, mandem mensagem àquela pessoa de quem sentem saudades e não querem admitir. Perdoem, peçam perdão. Abracem apertado as vossas pessoas. Sejam felizes, não só hoje, mas sempre.
Do fundo do coração desta blogger que já por aqui anda desde 2013, Feliz Natal criaturas mai' lindaaaas. 🎅🎄💝 Beijinhos e um xi apertadinho.
Quem faz parte do projecto:
🎄 Com amor, Cat
🎅 As Gavetas da Minha Casa Encantada
🎄 That Girl
🎅 A Liliana Raquel
🎄 Pimenta Mais Doce
🎅 The Choice
Primeira Parte
2012
Eva
estava preguiçosamente deitada na cama de rede a ler enquanto Sasha, a sua
cadela labrador de pelo castanho cor de chocolate, ressonava por baixo de si.
Apesar de ainda ser início de abril, o calor começava a fazer-se sentir e
naquela tarde, depois de um dia atribulado no gabinete de arquitetura de fazer
arrancar cabelos a qualquer um, nada lhe apetecia mais do que chegar a casa,
trocar de roupa e descansar um par de horas.
De repente ouviu qualquer coisa a
restolhar na garagem. Pousou o livro e ficou alerta, mas o barulho que a
despertara da leitura cessara.
- Deve ser algum gato vadio. – Disse para
Sasha, mas esta nem se incomodou a abrir os olhos, quanto mais levantar as
orelhas. A cadela era meiga com quem confiava, boa com os outros animais da
quinta, mas como cão de guarda não servia para nada.
A rapariga retomou a leitura, mas de novo
ouviu o mesmo barulho. Sem dúvida que alguém andava na garagem a remexer fosse
no que fosse. Saltou da cama de rede num ápice, acordando Sasha. Primeiro
correu, depois atrasou o passo, evitando fazer barulho. Se fosse algum ladrão
estava tramada. De que lhe valeria o cabo da vassoura que levava nas mãos em
posição de ataque?
Entrou na garagem e quase morreu de susto
ao ver uma figura masculina.
- Pedro! Que estás aqui a fazer? Não
estavas na escola?
- Bolas! A sério? Passei por ti e nem deste
por mim? Realmente quando entras no mundo dos livros perdes a noção de tudo. –
Resmungou ele. – Baixa lá essa vassoura.
Eva encostou a vassoura à parede, ainda a
tentar refazer-se do susto que apanhara por causa do irmão.
-Não te baldaste às aulas, pois não? –
Quis saber, colocando as mãos na cintura.
Pedro revirou os olhos.
- Maninha. – Pegou-lhe no pulso onde ela
trazia o relógio. – São quase seis horas, as minhas aulas acabaram às quatro.
Ok? - Olhou seriamente para a irmã. – Sabes que não me baldo às aulas desde o
ensino básico. Este ano faço 16 anos, sou um homem agora! E responsável.
Eva riu.
- Pedro, ainda estás a uns meses de fazer
anos, tens muito que crescer. – Beliscou-lhe a bochecha. Mas era verdade, Pedro
crescera nos últimos meses, tornando-se um jovem que aparentava ter mais de 15 anos,
sobretudo dada a sua inteligência e perspicácia, pena que nem sempre se fazia
valer disso.
- Que seja. – Contrafeito, voltou as
costas à irmã e retomou as suas buscas, revirando tudo e mais alguma coisa.
- Onde está a Su? Não devia de ter vindo
contigo? – Perguntou Eva, referindo-se à irmã mais nova.
- Ficou a terminar um trabalho da escola,
vem com a mãe. – Respondeu Pedro, distraído.
- Que estás a fazer? Se o pai sonha que
estás a mexer na tralha de pesca dele é bem capaz de te arrancar as orelhas da
cabeça!
O material de pesca do pai era sagrado, só
ele lhe podia tocar. Tal como a mota de cross
de Pedro era sagrada para ele. Tinha sido uma invenção do pai deles, que juntamente
com o rapaz, criou e montou uma pequena mota de cross com peças de outras motas velhas. Teria sido a forma de os
pais o calarem com aquele assunto, sem gastarem uma fortuna numa coisa que ele
acabaria por estragar.
Inicialmente, a mãe não achara qualquer
piada ao assunto, desagradava-lhe completamente a ideia de ver o filho em cima
de uma mota daquelas. Tanto ele a importunou que acabou por ceder, quando lhe
prometera não sair da propriedade, que seria apenas para brincar. A verdade é que o rapaz ganhou um amor por aquela motoreta
que ninguém esperava. Era limpa cerca de duas vezes por mês, posta a brilhar e
mesmo sem grande queda para a escola, – ou melhor, inteligente era ele, mas
sempre preferia deixar tudo para a última da hora por ser tão preguiçoso. -
Pedro ajeitava-se para a mecânica.
Desde há um ano que o pai perdera
totalmente o direito de andar na mota dentro da quinta para ir fazer alguma
coisa, quanto mais a tocar-lhe no interior
da carcaça.
- Ando à procura da chave do kart, não sei onde é que eles a
esconderam. – Admitiu ele, referindo-se a mais uma invenção do pai deles, um kart de cross, todo-o-terreno, completamente modificado e cheio de
engenhocas manhosas.
- Estás doido! Que achas que vais fazer
com o kart? Não te proibiram de andar
naquilo sem o pai?
- Eu sei. Mas sabes, maninha, – Fez aquele
olhar traquina, de doçura fingida. – Estava meeeesmo
a apetecer-me dar uma voltinha.
Eva revirou os olhos.
- E vais continuar com essa vontade até o
pai chegar. Não sei onde está a chave e mesmo que soubesse não te diria, claro.
– Piscou-lhe o olho e saiu, seguida por Sasha.
Pedro precisava de alguma coisa para
fazer, ou melhor, de apanhar ar. Coisas para fazer tinha ele, um monte de
folhas para estudar, mas antes disso precisava realmente de clarear as ideias.
Queria o kart. Queria desesperadamente
o kart. Mas a irmã tinha razão, como
quase sempre. Seria mais sensato esperar que o pai chegasse do trabalho antes
que fizesse asneira. Ainda se lembrava daquela vez que ficou de castigo duas
semanas sem televisão, sem computador, exceto para trabalhos da escola e
sobretudo, duas semanas sem sequer sonhar com a mota. Porque fora mesmo
castigado? Pensou durante um momento.
- Já me lembro! Acho que foi quando andei
a fazer rally com o trator.
E como ele se tinha divertido à brava
nesse dia, até ao momento que os pais chegaram e lhe fizeram as orelhas arder
tanto, tanto, que lhe apetecia arrancá-las.
Suspirou. Que se lixasse o kart.
Fechou o portão e arrastou os pés até ao
jardim onde a irmã retomara a sua viciante leitura. Por um segundo, uma ideia
travessa passou-lhe pela cabeça; talvez pudesse pregar-lhe um susto de a
fazer
cair da cama de rede. Pedro engoliu em seco, era melhor não pensar sequer em
fazer tal coisa!
Atrás de uma árvore ficou a observá-la,
ali tão tranquila, tão perdida no seu mundo de devaneios, com Sasha a roer uma
bola velha por baixo de si. Adorava-a. Podia ser mais velha, mas era a sua
maninha, aquela que brincara com ele na infância pelo campo, que fazia corridas
de bicicleta com ele, que sujava as mãos na terra enquanto faziam carros e
tratores deslizar por pistas que eles próprios criavam.
Mesmo que pudesse, não trocaria Eva por
nenhum irmão rapaz. Porque o faria? Ela própria fora uma maria-rapaz na
infância, detestava bonecas e Pedro (juntamente com Susana, mais tarde) tinha
sido o seu melhor presente. Eram a companhia um do outro.
Meses mais tarde, após a adoção de Pedro
ter sido aceite, ainda ele era um bebé, a mãe de Eva descobriu que estava
grávida. Tanto tempo depois a tentar em vão, quando menos esperavam, chegou
Susana. Mesmo quando ambos a arreliavam, Eva raramente se zangava. Tinha pedido
tanto um irmão ou uma irmã que nem se importava com o resto. Não se importava
quando lhe faziam a cabeça em água nem se incomodava por ter de dividir os
mimos com eles.
- Mana. – Chamou o rapaz cautelosamente.
Quando ela despregou os olhos do livro ele continuou. – Queres ir dar uma volta
a cavalo? Tenho uma data de coisas para estudar, mas preciso de apanhar ar
antes de mergulhar naquilo de cabeça.
Eva semicerrou os olhos. Não estava com
grande disposição para cavalgar, mas encarou o irmão e viu que ele estava a ser
sincero.
- OK. – Disse. – Mas depois vais estudar,
ouviste?
-Sim Sra. comandante! – Exclamou ele,
batendo continência.
Dirigiram-se para a cavalariça onde os
cavalos de ambos os esperavam. Eva selou a sua égua castanha com uma pequena
mancha branca na cabeça, enquanto Pedro fazia o mesmo ao seu cavalo, um belo
animal robusto, de pelo totalmente preto que à luz do Sol luzia intensamente.
Caminharam lentamente em silêncio durante
alguns instantes, ouvindo-se apenas os passos dos animais na terra.
- Que se passa? – Perguntou Pedro, despertando
a irmã dos seus devaneios. – Sim, o que se passa? – Repetiu quando ela franziu
o sobrolho.
-Nada. Porque haveria de se passar algo? –
Disse, sorrindo.
Ele olhou para a imensidão verde do campo
durante um momento antes de continuar.
- Conheço-te melhor do que pensas. Foi
aquele tipo outra vez, tenho a certeza. – Disse, referindo-se a Vicente, o
namorado da irmã.
- Ora essa. Não se passa nada, mano.
O rapaz aproximou-se mais da égua Faísca e
puxou-lhe as rédeas, retendo-a.
- Posso ser mais novo do que tu, não saber
metade do que sabes sobre a vida, sobre essa coisa de amor e tudo mais, mas sou
teu irmão e sei quando não estás nos teus dias. Tal como sei quando estás
empenhada no que estás a ler ou apenas folheias páginas sem tomar nota de
palavra nenhuma. E era isso que estavas a fazer naquela cama de rede há pouco.
Eva abriu e fechou a boca sem dizer uma
palavra.
- O que achas que se passa? O mesmo de
sempre. O Vicente não tem emenda. É preciso dizer mais alguma coisa? –
Respondeu ela em voz baixa.
- Sim é preciso. É preciso dizer-te que
mereces muito mais que aquilo. Até eu
com quase 16 anos consigo ser mais homem que aquele gajo.
Não querendo assumir que o irmão estava
certo, Eva soltou as rédeas de Faísca das mãos dele e obrigou a égua a correr o
mais rápido que podia. O mais longe que podia.
Era verdade, Pedro conseguia ser mais
adulto do que o seu namorado. O irmão não tinha medo de traçar metas e
alcançá-las desse por onde desse. Ao contrário de Vicente, foi assim que ela
própria e os dois irmãos foram educados, mas Eva não entendia uma coisa. Uma
pessoa pode ter uma determinada educação, mas se quiser ser diferente, se
quiser mudar, isso é desculpa para não o fazer? Ou é apenas uma questão de
princípios, de força de vontade?
Pedro tinha razão; ela merecia mais, só
não sabia o que fazer à sua vida naquele instante nem que rumo seguir.

Só quando o sol começou a esconder-se
totalmente por entre as árvores é que Eva regressou a casa montada na égua.
Tinha perdido a noção das horas quando se sentara à sombra de um salgueiro à
beira do lago onde Faísca aproveitou para deambular por ali, a pastar.
Subiu os degraus do alpendre batendo com
os pés para sacudir a terra que eventualmente trazia na sola dos ténis velhos e
deixou-se ficar por breves momentos a observar o irmão totalmente perdido no
monte de folhas que tinha para estudar. O seu bom senso dizia-lhe que devia uma
explicação a Pedro por o ter deixado a falar sozinho naquela tarde.
Cruzou os braços.
- Hmm… O pai já chegou. – Disse. – Não
querias ir andar no kart?
Pedro tirou os olhos das folhas à sua
frente. - Eu sei, vi-o chegar, mas acho que ficará para outro dia. Estou
realmente assustado com tudo isto que tenho para estudar. – Disse, sendo
sincero, levantando o olhar para o horizonte que se estendia por entre as
árvores à luz fraca do pôr-do-sol.
- Biologia? – Quis saber Eva, dando uma
espreitadela.
O irmão assentiu.
- Sério? É a tua disciplina preferida,
passas no teste na boa, de certeza. – Disse ela, confiante nas capacidades do
irmão e sobretudo, sabendo bem o quanto ele adorava aquela matéria.
- Mesmo assim, é muito para estudar. –
Pousou a caneta em cima da mesa de madeira do alpendre e afundou-se na cadeira.
– Nem sabes a sorte que tens de já estares safa de testes e desta vida de
estudante.
Eva aproximou-se dele, despenteando-lhe o
cabelo castanho.
- Dizes isso agora, maninho! Vais sentir
saudades destes tempos de escola, acredita.
- Duvido. – Resmungou, escapando das mãos
dela. Se havia coisa que ele detestava era que o despenteassem. Mas por pensar
nisso, estava na altura de fazer uma visita ao cabeleireiro, aqueles cabelos em
volta das orelhas a fazerem-lhe cócegas começavam a incomodá-lo.
- Quando cresceres, vais entender. –
Sussurrou a rapariga, colocando os braços em torno do pescoço do irmão,
beijando-lhe a face de seguida.
Durante algum tempo ficaram em silêncio
até que a mãe de ambos saiu pela porta a chamá-los.
- Eva, não sabia que já tinhas regressado.
– Disse.
- Olá, mãe. Cheguei há pouco. –
Cumprimentou a mãe com dois beijinhos e entrou em casa. – Vou tomar banho,
estou esfomeada.
Tomar um duche ao final do dia poderia
significar alguma paz de espírito durante cinco minutos, desligar o cérebro,
ficar apenas a sentir a água na pele, mas para Eva era totalmente o oposto. Era
durante o duche, enquanto conduzia, ou quando estava prestes a pegar no sono,
que a mente dela divagava, pensava em tudo e mais alguma coisa, até mesmo
naquilo que não queria.
Tudo voltava a Vicente. Quantas vezes se
sentira insignificante por causa dele? Na verdade, o que é que ele fizera
realmente por ela, mesmo? Nunca a levou a sair, a jantar fora ou ao cinema. E
as poucas vezes que saíam juntos era à custa dela. Era ele que saía com ela e
não ela com ele.
Vicente era um miserável, não tinha onde
cair morto nem se preocupava realmente muito com isso. Podia não ter um tostão
furado e, no entanto, Eva preocupava-se mais com isso do que ele próprio.
Pedro tinha razão, ela merecia mais. Podia
não ser a melhor pessoa do mundo, mas sabia o que tinha feito em prol daquela
relação que agora apenas a magoava e a deixava triste demasiadas vezes.
Podia não saber muito sobre o que era amar,
mas tinha a certeza que não deveria ser assim, deveria estar feliz a maior
parte do tempo, deveria sentir-se segura com a pessoa com quem estava. Mas no
seu caso isso era uma mentira, não se sentia segura em relação a nada e não
gostava minimamente desse sentimento. Tinha imensos planos para o seu futuro,
queria alcançá-los e sabia que não seria com uma pessoa como Vicente, que se
acomodava e não insistia em ir mais além.
Recordou os primeiros meses juntos e
sentiu saudades daquilo que eles eram antigamente, percebendo então que desde
sempre fora estúpida em acreditar nas promessas que ele fazia, nos planos que
ele traçava sem intenção de os cumprir ou apenas esperava que se realizassem
por si só. Eva era independente, Vicente era dependente, demais até.
Saiu debaixo do chuveiro, enrolou uma
toalha na cabeça e vestiu-se. Quando entrou no quarto assustou-se com Pedro e
Susana sentados na beira da cama de braços cruzados. Estava a tornar-se um
hábito o irmão assustá-la naquele dia.
- Que susto! – Exclamou, levando a mão ao
peito.
- Bolas, metemos assim tanto medo? –
Brincou Susana, Su para a família e amigos mais próximos
- Que gracinha. – Resmungou a rapariga
mais velha, com um sorriso irónico. – Que estão aqui a fazer? Isto é alguma
intervenção em grupo?
- Acabar a conversa que começámos hoje à
tarde. – Disse Pedro.
- E eu estou aqui para o ajudar a fazer-te
falar. – Atirou Susana.
- Não desistem mesmo, pois não?
- Não, mana, não desistimos. Sabes porquê?
Porque és nossa irmã e se tiver de arrancar um dente ao teu querido namorado,
ou raio que o parta que ele é, farei isso com muito gosto. – Disse o rapaz.
- Pedro. – Sussurrou ela, baixando a
cabeça depois de se sentar na cadeira de secretária.
- Eva. – Pedro imitou o tom de voz da
irmã, como quem diz Queres jogar, vamos
jogar
- O que querem que vos diga, exatamente? -
Quis ela saber.
- Achas que alguma vez o Vicente vai
mudar? Digo, realmente? – Perguntou o Pedro.
- Achas? Claro que não. Diz que sim, mas
já viste provas disso? – Quando o irmão abanou negativamente a cabeça ela
continuou. – Pois, nem eu.
- Então porque continuas com ele? Porque
continuas presa a uma relação que sabes não ter futuro? A uma pessoa que nem
sequer sabe o que fazer à sua própria vida? – Perguntou Susana.
- Sabem, eu sei bem disso tudo, sei que
talvez nunca exista futuro para nós. Continuo a tentar vezes sem conta. Mesmo
depois de ter aberto os olhos, continuei a tentar, continuei a permitir
magoar-me a mim própria e não sei porquê.
- Talvez aches que o que sentes por ele o
ajude a mudar. – Arriscou Susana.
- Nem eu sei o que sinto por ele, só sei
que não é igual ao que sentia. Quando amas mesmo muito uma pessoa e ela apenas
te magoa, esse sentimento começa a desaparecer porque vês que não vale de nada.
Amar só por si não chega, se não forem os dois a trabalhar pela relação.
- Sabes o que eu acho? – Susana obrigou-a
suavemente a encará-la, brincou com uma madeixa do cabelo dela que lhe escapara
debaixo da toalha presa em volta da cabeça e disse: -Não desistes dele porque
não sabes desistir. Nunca soubeste desistir fosse do que fosse, porque haverias
de desistir do único amor que tiveste? É quem tu és, e é o que faz eu adorar-te
tanto. – Sorriu.
A rapariga ficou por momentos a matutar no
que a irmã acabara de dizer. Quando é que Susana se tornara tão adulta, até mesmo
para a sua idade? Não passava de uma adolescente, mas já se tornara tão boa
ouvinte e conselheira.
- És como a mãe. – Disse Pedro. – Podem
ser magoadas, podem sofrer, mas não sabem desistir, não conseguem dar-se por vencidas.
– Confessou, começando a sentir as bochechas a arder. Raramente dizia o que
sentia, mas quando o fazia, deixava qualquer pessoa de boca aberta.
- Sabes maninho? Nunca pensei que fosses
tão meloso. – Brincou Eva, fazendo-lhe cócegas na tentativa de encerrar o
assunto por ali. Por muita razão que os irmãos tivessem, precisava de pensar,
pôr a cabeça em ordem primeiro. Pedro tinha esse efeito quando se fingia de
filósofo.
- Oh, vai-te lixar. – Resmungou ele fugindo
pela porta do quarto. Outra coisa que detestava, para além de ser despenteado,
era que lhe fizessem cócegas. E as irmãs estavam sempre a fazer isso, tal como
o avô deles. Sentia-se fraco nas mãos deles, pensou, dramatizando.
Eva deixou-se ficar sozinha, perdida de
riso até que o telemóvel tocou com um aviso de mensagem. A ideia de ser Vicente
deixou-a séria de repente.
De: Íris
Que dizes almoçarmos amanhã? Estou a dar em
doida aqui em casa.
Íris era uma estudante do curso profissional
de design de interiores e exteriores e uma das estagiárias de verão no gabinete
onde Eva trabalhava. Podia dizer até que era o mais próximo de uma melhor amiga
que ela tinha, nunca esquecendo que o estatuto de melhor amiga pertenceria
sempre a Filipa, passassem os anos que passassem, embora já não mantivessem
contacto. Mas isso era uma outra história para mais tarde.
Almoçar com Íris significava uma boa hora
de risota e disparates como sempre que se encontravam.
Para: Íris
Importas-te que leve o
palerma do meu irmão? Já tinha combinado almoçar com ele amanhã, a Susana não
pode ir.
De: Íris
Na boa. ;)
Eva já esperava isso. Mesmo discretamente,
Íris mostrava algum interesse no Pedro, embora ele fosse dois anos mais novo.
O
que não esperava era que fosse recíproco e verdade fosse dita, não achava muita
graça a ver o irmão envolvido com a sua amiga. Esperava que fosse apenas uma
coisa passageira, nada com que devesse preocupar-se.
- Pedrooooo! – Gritou enquanto se dirigia
para a sala de jantar.
- Que fooooooiiii? – Respondeu ele de boca
cheia. Já tinha roubado umas quantas batatas fritas da travessa mesmo antes de
ser chamado para jantar. Tinha cá um faro para a comida….
- Amanhã vamos almoçar, lembras-te? –
Perguntou.
Ele assentiu com a cabeça, não fosse
alguma batata escapar-lhe da boca.
- A Íris vai connosco, Ok?
O rapaz engasgou-se de tal maneira que começou
a tossir e a ficar mais vermelho que um tomate.
- O quê? – Perguntou, mais recomposto.
- Quê, nada. Qual o teu problema? Até
parece que não estiveste connosco mais vezes.
Claro que tinha estado com elas várias
vezes, mas isso foi antes de começar a achar piada à amiga da irmã. Íris
completava 18 anos dali a uns meses, curiosamente, no mesmo mês que ele faria
os seus 16 anos. Era ainda muito puto para
que ela olhasse para ele duas vezes.
Pedro era um quebra corações, ainda que inconscientemente.
Na verdade, preferia as motas às raparigas mesmo que as deixasse K.O, sem
querer, com os seus olhos azuis-claros, mas Íris era diferente. E sobretudo,
era amiga da sua irmã. Estava tramado. Totalmente tramado.
- Aaaaah, acabei de me lembrar que amanhã
tenho umas coisas para fazer na hora de almoço. – Mentiu, sentindo o sangue
subir-lhe às faces.
- Jogar matraquilhos? – Quis saber a mãe,
sentando-se à mesa.
- Algo assim… - sussurrou ele, baixando a
cabeça.
Eva começava a perceber onde o irmão
queria chegar. Sentou-se ao lado dele e disse entre dentes:
- Não te armes em menino. Vamos almoçar
como tínhamos combinado e a Íris vai connosco. Se estiveres realmente muito
incomodado, almoças e vais-te embora, mas duvido que faças isso. Mal consegues
olhar para o lado quando estás perto dela. Como disseste à tarde “Sou tua irmã
e conheço-te desde que aqui vieste parar.”Nem te atrevas a não aparecer, Pedro
Miguel!
Pedro Miguel… quando o chamavam assim já
sabia que o caldo estava entornado. Pior que almoçar com Íris sem começar a pôr
os pés pelas mãos, seria almoçar com aquelas duas. Quando se juntavam eram o
disparate em pessoa. Lá teria de ser, que Deus o ajudasse.
Aquela noite fora muito agitada para Eva,
que tentava a todo o custo adormecer em vão. Sentia-se cansada, com sono, mas
não conseguia dormir. Era como se tivesse o cérebro ligado à corrente. Pensava,
pensava, voltas para aqui, voltas para ali. Ora tinha frio, ora tinha calor.
Vicente era a sua maior preocupação, a sua
insónia. Talvez Susana estivesse certa quando disse que ela, tal como a mãe,
não sabia desistir. Por muito má que fosse a fase que estava a passar com o
namorado, ela sabia quem amava e só queria que algum dia pudessem ser felizes
juntos. Mas esse dia teimava em não chegar.
Tinham alturas boas, com o amor que
nutriam um pelo outro no auge e nessas fases ela tinha a certeza mais certa que
era com ele que queria ficar o resto da vida. Queria tanto que fossem o
primeiro e único verdadeiro amor um do outro. Talvez pudesse fazer parte do
pequeno grupo de raparigas que fica para sempre com o primeiro amor.
Embora tudo isso lhe soasse a contos de
princesas e príncipes encantados, ainda tinha uma réstia de esperança que
Vicente mais tarde ou mais cedo fizesse algo por si próprio e sobretudo pela
relação de ambos. Ao pensar nisto, Eva sentiu-se cansada de ser o “rapaz”
daquele namoro.
Nunca quisera grandezas, nunca pediu
muito, apenas o suficiente para ser feliz com ele, o suficiente para que fossem
um casal normal da idade deles.
No fundo, queria apenas sentir-se
especial, amada por Vicente, queria só ser normal.
Normal, mas não comum.
Apesar do desejo que sentia que Vicente a
levasse a passear, ao cinema ou o que fosse, nunca fizeram parte do grupo de
jovens que sai à noite com amigos, mas na verdade, os amigos de ambos podiam-se
contar pelos dedos de uma só mão. Talvez por isso a rapariga não soubesse
quando desistir, pois no fundo eram o melhor amigo um do outro, para o bem e
para o mal, podiam contar um com o outro. Poderia haver mais rapazes no mundo,
sim, contudo ela não estava pronta para abrir mão de Vicente, apesar de tudo o
que isso poderia significar.
Acabou por adormecer a imaginar um futuro
para ambos. O futuro em que seriam felizes, onde pertenceriam um ao outro.
A Magda do blog Rêtro Vintage Maggie há umas semanas contactou-me para lhe remodelar o blog tanto o template como o logótipo. Conhecendo-a como conheço, sabia que tinha de optar pelo estilo de caveiras que ela tanto adora e em simultâneo por algo mais clean.
Para cuscarem o novo template só têm de visitar o blog dela, eu deixo aqui o novo logótipo. Ela adorou, espero que vocês também gostem!
Caso pretendam também mudar o visual do vosso blog, falem comigo. 😁
Eva
2018
Sócrates
escreveu “Uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida” e ali estava eu, de
frente ao maior desafio de toda a minha vida e sem saber como iria terminar,
sem saber o que me esperava para lá daquelas duas portas metálicas do bloco
operatório. Naquele momento, tive medo do que viria depois. Tive medo que
aquela fosse a última vez que via os meus pais e despedir-me deles com um “até
já” custou-me muito mais por não saber se realmente seria apenas um “até já” ou
um “adeus”. Tive medo que aquela fosse a última vez que saía da minha casa, do
meu pequeno mundo, da minha bolha onde nada de mal me poderia acontecer
enquanto eu estivesse no refúgio das minhas quatro paredes, no meu lugar
preferido do mundo inteiro. Tive medo que não pudesse terminar tudo o que tinha
começado, medo de deixar tanto por fazer, por dizer e uma vida ainda por viver.
Levada pelo receio e por precaução, decidi
escrever uma carta que mais tarde os meus pais leram, perguntando “Porque a
escreveste? O que achavas que iria acontecer?”. O que eu achei que pudesse
acontecer? Achei que tudo poderia correr mal, e azarada como eu era, quase
apostava nisso.
Só mais tarde percebi que não era azarada
coisa nenhuma, pelo contrário! Era abençoada. Sortuda pela vida que levava,
pelas pessoas que tinha ao meu redor e pelas que tinham partido, mas
continuavam presentes a cada passo que eu dava no caminho da vida. Podia não
ser a melhor pessoa do mundo, podia ter a minha quota parte de erros cometidos,
mas se naquela altura não tinha orgulho em mim, hoje tenho. Tenho orgulho do que
me tornei ao longo do tempo e aprendi a orgulhar-me da pessoa que fui no
passado, pois sei que sempre fui a melhor versão de mim mesma, gostando disso ou
não.
Sei os obstáculos que ultrapassei, sei o
quanto remei contra a maré, as vezes que fui contra tudo e todos em nome do que
eu acreditava, em nome do que eu queria para mim.
Lutei pelos meus sonhos, pela minha vida e
isso ninguém me pode tirar. Mas aos 19 anos eu não sabia disso, não sabia das
lições que iria aprender nos anos seguintes nem sabia o que me esperava.
Transpus as portas metálicas, cuja rigidez
e frieza eu podia sentir só de olhar para elas, sem mesmo lhes tocar.
De repente, comecei a tremer, não sei se de
frio ou nervos, talvez ambos. Já deitada na maca nada confortável, colocaram-me
uma máscara sobre o nariz, ao mesmo tempo que um líquido frio correu pelas
minhas veias, pelo meu corpo todo, levando a minha lucidez para longe. Aos meus
olhos tudo se desfocou, como se estivesse a ser puxada para outro sítio que não
ali, não naquele ambiente frio e estéril típico de uma sala de operações.
As luzes brilhantes, dignas de uma nave
espacial, desapareceram, tudo desapareceu e o meu último pensamento foi: tenho
medo. Naquele dia, pela primeira vez em 19 anos, tive medo de morrer. Em
simultâneo, mais do que nunca, senti que não estava sozinha, tinha lá os meus
anjos da guarda.
Foi assim que tudo começou…
«Em criança,
Eva tinha um desejo; não ser filha única.
Queria um
irmão ou uma irmã com quem brincar. Na verdade, Eva implorava aos pais – em
palavras dela – “Eu quero um mano nem que seja de barro ou da loja dos
trezentos!”
Durante
anos, era tudo o que ela mais queria, até que numa noite fria de Inverno soube
que a mãe estava grávida. Naquele momento Eva não precisava de mais nada, iria
ter o seu pedido atendido, finalmente! Mas a vida raramente é o que esperamos,
existe sempre outros planos reservados para cada um de nós e por muito que isso
nos custe, por muito que doa, temos de seguir em frente e aprender a perdoar,
mesmo que isso seja tudo o que o nosso coração não quer. Sobretudo, temos de
aprender a perdoar a nós mesmos e agradecer a Deus pelas suas escolhas, até
mesmo quando essas escolhas que Ele faz nos destroem por dentro.»
Porque por muito tempo
que passe, há coisas que o
coração não perdoa.
Para todas as mães que
já perderam um filho e para todas as pessoas que já perderam um irmão ou uma
irmã
Booktrailer:
Depois de ter esgotado os exemplares físicos do meu livro "Quando o Coração Não Perdoa", decidi colocar a história integral no Wattpad. É gratuito e qualquer pessoa pode ler. Estou também a pensar partilhar aqui pelo blog!
Espero em 2020 esgotar também "Tudo o Que Sempre Quis"!
No Wattpad podem ler AQUI!
Depois de ter esgotado o livro "Quando o Coração Não Perdoa", resta-me apenas o "Tudo o Que Sempre Quis". Ainda não tens o teu exemplar autografo? Pelo que esperas?
Já tens o teu e gostarias de oferecer um a alguém especial neste Natal? Aproveita a promoção!
Sinopse:
«Salvador. Lucas. Helena. Sara e Martim.
Cinco jovens que se perderam algures na estrada da vida. Todos eles têm assuntos pendentes, cicatrizes e fantasmas que insistem em persegui-los onde quer que vão. Até mesmo quando, um por um, por um motivo ou por outro, se refugiam numa pequena Vila à beira-mar sem saberem até que ponto os seus destinos estão traçados.
Uma história de amor, de amizade, de dor, perdão e segundas oportunidades. Mas acima de tudo, lealdade.
Ninguém é forte o suficiente ao ponto que não precise de outro alguém.»
Booktrailer:
O post de hoje é muito importante. Uma vez que quase todas as pessoas andam "à rasca" com dinheiro, deixo-vos alguns presentes que podem oferecer por menos de 10€! Há sempre aqueles saldos antes do Natal, e se forem como eu, às vezes compro tudo com muitooo tempo de antecedência só para aproveitar os saldos ahaha. Presentes baratos não querem dizer coisas reles, pelo contrário, por vezes há coisas muito giras, originais e simples repletas de significado. Não é disso que o Natal é (ou devia ser) feito? Significado.
Espero que gostem das sugestões. Eu encontrei umas coisas bem giras. Claro que existe muitas mais coisas que podem oferecer por 10€ ou menos. É questão de procura e sorte. 😁 Só não deixem as compras para dia 24 à moda do bom português.
Para elas:
Óculos de sol retro da Mango
Preço: 9,99€
Preço: 9,99€
Meias com renas da Oysho
Preço: 7,99€
Preço: 7,99€
Pantufas em pêlo sintético H&M
Preço: 9,99€
Preço: 9,99€
Vaso Cabeças no Ar da Ducka
Preço: 7€
Preço: 7€
Party pack café e copos da Nespresso
Preço: 9,90€
Para eles:
Óculos de sol da H&M
Preço: 7,99€
Gorro com barba da H&M
Preço: 9,99€
Cesto de basquetebol para casa-de-banho da Tiger
Preço: 8€
Carregador sem fios do Ikea
Preço: 6€
Para as crianças:
Casa luminosa da Flying Tiger
Preço: 6€
Peluche panda do IKEA
Preço: 4€
Conjunto de 6 lápis Sticky Lemon na Maria do Mar
Preço: 5,50€
Kit de pintura da Flying Tiger
Preço: 7€
Carrossel musical na Flying Tiger
Preço: 10€
A ciência dos chocolates na Science4you
Preço: 9,99€
Pantufas da Primark
Preço: 9€
Livro O Principezinho na Bertrand
Preço: 9,90€
Microscópio de bolso na Bairro Arte
Preço: 9,50€
Rolo de papel para colorir na Ikea
Preço: 5€
Preço: 5€
🎄 Com amor, Cat
🎅 As Gavetas da Minha Casa Encantada
🎄 That Girl
🎅 A Liliana Raquel
🎄 Pimenta Mais Doce
🎅 The Choice
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